Notas de Imprensa

Memórias inéditas de António Gedeão

Data: 31-07-2006; Páginas: 22
Fonte: Diário Sul
C/ Foto | PB

Centenário do nascimento

Memórias inéditas de António Gedeão

A publicação das "Memórias" inéditas do cientista e poeta Rómulo de Carvalho, conhecido pelo pseudónimo de António G,edeão, marca o programa de comemorações do centenário do seu nascimento que se assinala a 24 de Novembro deste ano.

O vasto programa de eventos foi apresentado à comunicação social em Lisboa, no Café Martinho da Arcada, pela comissão organizadora das comemorações, constituída por amigos, antigos alunos e familiares de Rómulo de Carvalho, falecido em 1997 e autor de uma vasta obra nas áreas da investigação histórica, ciência, ensino e poesia.

Um dos filhos, Frederico Gama Carvalho, membro da comissão organizadora das comemorações, explicou que as mais de duas dezenas de iniciativas previstas visam "contribuir para recordar e fazer viver na sociedade portuguesa a herança intelectual" do cientista e professor "e do seu inseparável amigo António Gedeão".

Um dos pontos altos das comemorações será, em 2007, a publicação das memórias até agora inéditas do autor.

É um manuscrito de cerca de 1100 páginas que "constitui um notável repositório da experiência de vida pessoal e profissional ao longo de quase um século", assinalou Frederico Gama Carvalho.

A obra, que deverá ser publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, "inclui - precisou - estudos importantes sobre a ciência em Portugal, relatos sobre as dificuldades a que fez face na realização das investigações ao longo da vida e também aspectos interessantes da sociedade portuguesa da época, ao longo do século XX".

O programa das comemorações inclui uma exposição a inaugurar na Biblioteca Nacional a 12 de Outubro, sobre a vicia e a obra do historiador, que desde muito cedo revelou interesse pela investigação e divulgação da ciência, exercendo como professor durante 40 anos, ao mesmo tempo que se dedicava à poesia.

Foi, aliás, nesta área literária que o seu nome se tornou mais conhecido, depois de alguns dos seus poemas terem sido musicados por compositores como Manuel Freire ou José Niza, popularizando textos como "Pedra Filosofal", "Aurora Boreal", "Fala de um Homem Nascido" e "Lágrima de Preta".

Nascido em Lisboa, Rómulo de Carvalho licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto, depois de ter frequentado o Curso Preparatório de Engenharia Militar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Centrou posteriormente a sua investigação na ciência em Portugal no século XVIII, sobretudo nas áreas da Física Experimental, da Astronomia e da História Natural.

Através de diversas obras de cariz pedagógico, nomeadamente "História do Telefone", "História da Fotografia", "História dos Balões", "História da Radioactividade", entre outras, entusiasmou muitos jovens a seguirem estudos e carreiras na área das ciências.