Notas de Imprensa

Memórias inéditas nos 100 anos de Rómulo de Carvalho

Data: 28-07-2006; Páginas: 54
Fonte: Jornal Notícias
Autor: Ana Vitória
C/ Foto | PB

Homenagem

Memórias inéditas nos 100 anos de Rómulo de Carvalho

Organização das comemorações apresentou programa com que pretende manter viva herança intelectual do homenageado

Obras de António Gedeão vão integrar Plano Nacional de Leitura e a Universidade de Évora institui prémio com o seu nome

Ana Vitória

O nome Rómulo de Carvalho talvez só diga alguma coisa aos académicos e a quem teve o privilégio de ter sido seu aluno ou de com ele privar como professor. Mas se falarmos em António Gedeão, o pseudónimo que o revelou no mundo das letras, já o assunto é familiar para um leque mais alargado de pessoas .

O homem que escreveu "Pedra Filosofal" foi o mesmo que se preocupou, nos anos 70, em divulgar noções básicas de física para o povo. Morreu em 1997. No próximo dia 24 de Novembro, data em que se assinala os 100 anos do seu nascimento, um grupo de amigos aproveita a oportunidade para realizar uma série de iniciativas com as quais pretende "recordar e manter viva na sociedade portuguesa a herança intelectual de Rómulo de Carvalho e do seu inseparável "amigo" António Gedeão".

Uma sessão solene no dia do aniversário, que terá como palco a Academia de Ciências de Lisboa, data em que também se assinala o Dia Nacional da Cultura Científica, instituído em 1996 pelo ministro da Ciência, Mariano Gago, a inauguração de uma exposição evocativa da sua obra científica, didáctica e poética, a inclusão de um conjunto de obras publicadas no âmbito do Plano Nacional de Leitura são apenas algumas das iniciativas previstas.

A exposição na BN assenta no espólio que, por decisão dos herdeiros, foi entregue à guarda desta instituição. Entre essa documentação, lembrou Natália Nunes de Carvalho, a viúva do homenageado, constam autênticas preciosidades. "Vivi com ele e não sei onde arranjava tempo para escrever aquilo tudo". Entre esses documentos contam-se uma colecção de 30 maços de papel que são o repositório de um aturado trabalho de investigação que Rómulo de Carvalho fez sobre as relações de Portugal com o estrangeiro. É um trabalho colossal que merecia ser publicado".

Rómulo de Carvalho costumava ainda fazer recortes de jornais e comentar as respectivas notícias. "Ele colava esses artigos num caderninho e, ao lado, escrevia os seus comentários sempre recheados de ironia e de um profundo sarcasmo. Abordava todos os aspectos da sociedade portuguesa ", adiantou a viúva.

O programa de comemorações tem o apoio, entre outras entidades já citadas, dos ministérios da Cultura, da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior e da Educação, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Instituto Camões, da Biblioteca Nacional, e da Rádio e Televisão de Portugal.

Um homem multifacetado mm Nascido em Lisboa, Rómulo de Carvalho licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto. Centrou posteriormente a sua investigação na ciência em Portugal no século XVIII, sobretudo nas áreas da Física Experimental, da Astronomia e da Historia Natural.

Pela primeira vez, em 1964, publicou poesia sob pesudónimo de António Gedeão. Através de diversas obras de cariz pedagógico, entusiasmou muitos jovens a seguirem estudos e carreiras na área das ciências, a

Tempo de poesia e de escrita para crianças

O programa de comemorações começa em Setembro próximo quando, na Fundação Calouste Gulbenkian, for lançada a quarta edição, revista e aumentada, de "As origens de Portugal. História Contada a uma Criança", uma obra singular no conjunto de trabalhos de Rómulo de Carvalho.

"Esta publicação, editada pela Gulbenkian vai ser enriquecida com a "Crónica de Afonso II", descoberta em 2000 no seu espólio", contou o filho, Frederico de Carvalho, que foi a criança para quem inicialmente a história foi escrita.

As comemorações alargam-se a 2007, ano em que está também prevista a publicação das "Memórias" até agora inéditas.

A obra parte de um manuscrito de cerca de 1100 páginas que "constitui um notável repositório da experiência de vida pessoal e profissional ao longo de quase um século", assinalou Frederico Gama Carvalho.

As "Memórias", que deverão ser publicadas pela Fundação Calouste Gulbenkian(FCG), "incluem estudos importantes sobre a ciência em Portugal, relatos sobre as dificuldades a que fez face na realização das investigações ao longo da vida e também aspectos interessantes da sociedade portuguesa da época, ao longo do século XX", precisou o filho do homenageado .No campo editorial está igualmente prevista a edição de um conjunto de quatro volumes de poemas escolhidos de António Gedeão em edição bilingue, em francês, inglês, espanhol e italiano e a publicação das revistas "Camões", do Instituto Camões, e "Colóquio Letras", da FCG ,com conteúdos exclusivamente dedicados ao homenageado.